A primeira questão que se impõe é saber se a família como tal pertence ao campo ecológico e se merece atenção especial para a manutenção e saúde não só da espécie humana, mas de todo o universo.
De saída, achamos que é um assunto que merece ser pesquisado e debatido no campo acadêmico, vaticinando melhores caminhos para o futuro da humanidade.
Elegemos o método “ver, julgar e agir” para descortinar pistas que fujam aos jargões tradicionais de fundamentalismos inconseqüentes e nos apropriar de todo o esforço que vem sendo feito em muitas áreas, para recolocar a família no seu devido patamar, seguindo o método indutivo.
Evidentemente como cristãos, temos como paradigma o evangelho de Jesus Cristo.
Ver
Vejamos inicialmente alguns dos problemas que se ligam á vida familiar quer entre os casais ou entre estes e seus filhos e comprometem a instituição matrimonial, constatando fatos sem entrar inicialmente em considerações religiosas ou éticas.
1. – Instabilidade do compromisso matrimonial.
È muito comum aos jovens hoje dizer: se não der certo nós nos separamos. Muitas separações se dão antes do primeiro ano de casados. Então toda aquela pompa de que se reveste a solenidade, se esvai sem o menor sentido.
Um rapaz engravidou uma moça e esta o importunava para se casar. Quando terminou a cerimônia ele disse, fiz o que você pediu agora me deixe em paz, que eu vou seguir meu rumo.
2. – Os jovens têm dificuldade de se conhecer mais profundamente e não acreditam na sinceridade um do outro e temem ser traídos, como em muitas histórias que conhecem de amigos que sofreram grandes decepções.
3. – O individualismo e a concorrência capitalista que só valoriza o mercado e os lucros financeiros e descarta o que está fora dele, corroi a base da união matrimonial.
4. – O machismo de um lado, querendo dominar a mulher e o feminismo por sua vez, buscando a alforria desta e sua independência e liberdade, tornando o homem desnecessário em sua vida, impossibilitam a aliança matrimonial.
5. - Falta de preparação remota e próxima para a convivência a dois, estabelecendo-se uma vida nova, a do casal.
6. – As várias correntes culturais que influenciam as pessoas e concorrem para a desagregação familiar:
6.1. – Corrente materialista :
“você vale pelo que tem e não pelo que você é.”
È mais importante possuir as coisas do que ser pessoa.
Para a mulher moderna é mais útil ganhar dinheiro que cuidar de filhos
6.2. -Corrente utilitarista:
“você vale alguma coisa se for produtivo”
O fazer predomina sobre o ser
Quem não produz não serve para nada.
As crianças mal formadas não servem para nada – solução, aborto.
Os velhos, idem – eutanásia.
Os indigentes – limpeza social
Os detentos – cárceres e não centros de reeducação.
6.3. – Corrente hedonista
O único bem é o prazer e o único mal a dor.
Tudo que provoca prazer é bom e o que não provoca é ruim
O hedonismo é alérgico ao compromisso e ao sacrifício. Por isso, o casamento antigo não tem mais sentido. O que vale é o “fico” entre amigos, com todos os direitos do casamento, sem compromisso ou obrigação, porque estes assustam.
Os valores mais importantes são o lazer e a beleza. É a aparência que vale.
É a cultura do descartável, as coisas são feitas para durar pouco.
É bem vindo o dinheiro fácil adquirido sem esforço, mesmo que não se saiba sua origem.
Caso surjam problemas nas relações sentimentais, é preciso interrompê-las imediatamente. Sua felicidade está em primeiro lugar e você tem direito a ela.
6.4. – Corrente do relativismo
Nada é absoluto e permanente tudo é relativo. Minha verdade me pertence e os outros devem respeitá-la. Não existem valores universais e a moral se define em função da maioria. Se esta é a favor do aborto, ele está legitimado.
Ser homem ou mulher é algo cultural e não estrutural.
Inclinação sexual é algo que se escolhe, podendo ser heterossexual, homossexual, lésbica ou andrógina.
6.5. – Corrente secularista
A religião é algo arcaico.
Eu sou deus para mim mesmo e posso tudo. São os postulados da nova era bastante difundidos. Não cabe à família moderna educar na fé. Pode-se deixar esta opção para a escola, que se diga de passagem, não pode ser confessional.
6.6. – Corrente nihilista
Nada tem sentido, tudo é náusea. Não se trata aqui das correntes filosóficas de Nietzsche, Heiddeger ou Sartre, mas sim do nihilismo corrente. Muitos o são de forma implícita. O homem vem do nada e volta para o nada. Isto leva a um pessimismo depressivo ou a um otimismo inconseqüente. Comamos e bebamos e satisfaçamos a natureza já que amanhã morreremos.
Julgar
O paradigma para o juízo cristão se fundamenta na palavra de Deus. E no seu ensinamento através da Bíblia e do Magistério.
No poema da criação Deus organiza o universo em 5 dias e o coroa no 6º.criando o homem e a mulher à sua imagem e semelhança a quem confiou tudo o que criara, para ser co-criadores e participar da felicidade de seu amor. O Eden era o paraíso de felicidade que o homem perdeu quando contrariou a vontade de Deus. A partir daí viu que estava nu.
Deus não abandonou seu povo, mas através dos profetas ensinou que seu amor pela humanidade tem uma analogia no amor matrimonial.
Em resumo o projeto de Deus tem por elo de sustentação, o casal. Este faz parte do projeto divino e se assemelha á Ele, porque é capaz de amar.
Jesus Cristo confirmou o projeto divino, dizendo que o homem não separe o que Deus uniu ( Mateus 19,3-23).
S. Paulo (no cap. 5. 21 aos efésios) diz que os maridos amem suas esposas como Cristo amou sua Igreja. E nos conforta dizendo que este mistério é grande.
O Pe Caffarel que fundou as equipes de nossa senhora e pesquisou sobre o matrimônio de 1939 ao fim do século xx, ajudou a milhares de casais na Europa e no Brasil, a seguirem o caminho de santificação matrimonial, diz sobre o matrimônio cristão uma frase lapidar:
O matrimônio é a obra prima de Deus.
O Concilio Vaticano II na Constituição Dogmática sobre a igreja orienta que “os cônjuges cristãos, pela virtude do sacramento do matrimonio pelo qual significam e participam do mistério de unidade e fecundo amor entre Cristo e a Igreja, ajudam-se a se santificar um ao outro na vida conjugal e têm um dom especial dentro do Povo de Deus” (n.11) e continua, é necessário que nesta espécie de igreja doméstica os pais sejam para os filhos pela palavra e pelo exemplo os primeiros mestres da fé.
No documento, Apostolicam Actuositatem sobre a vocação e missão dos leigos, ensina que a família cristã se apresente como santuário intimo da igreja. Já tendo explicitado no início que se constitui princípio e fundamento da sociedade humana e pela graça divina Deus o constituiu o grande sacramento em Cristo e na Igreja.
No documento conciliar Gaudium et Spes, no capítulo II, os padres conciliares enumeram os problemas mais urgentes da humanidade e destacam em primeiro lugar do número 47 ao 53 a promoção da dignidade do matrimônio e da família. Convido que todos os leiam, meditem e comparem com a realidade da igreja e do mundo.
Não posso omitir a recomendação que faz aos sacerdotes de serem adequadamente formados em questões familiares, para promover a vocação dos esposos na sua vida conjugal e familiar, e no apoio aos movimentos familiares, aos jovens que se preparam para o casamento e aos recém casados.
A cúpula da Igreja Hierárquica está fiel à doutrina conciliar sobre a familia, mas ela carece de ser mais vivenciada pelas bases.
João Paulo II na Familiaris Consortio brada que o futuro da humanidade depende da família e noutra parte do documento ele pede que a família seja o que ela é, fonte da vida e do amor.
Os Bispos do Brasil no diretório da pastoral familiar, aprovado na 42ª. Assembleia em 2004 embora tardiamente consonantes com a orientação conciliar, ensinam que o matrimônio é obra predileta de Deus.(capítulo. 2º.)
A V Conferencia Geral do episcopado da América Latina e do Caribe no número 422 explicita: “a família é um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e caribenhos e é patrimônio da humanidade inteira.”.
Agir
Qual deve ser nosso agir acadêmico sobre a parte da ecologia deste momentoso assunto, a família?
Os celibatários se casarem?
Evidentemente que não, mas dedicar-se às famílias e aos movimentos familiares, lembrados de que a fonte do amor que impulsiona uns para o celibato é a mesma fonte que leva outros, a maioria, ao matrimônio, Jesus Cristo, o Verbo Encarnado.
Com efeito, 99% do Povo de Deus ou é casado ou foi ou pretende sê-lo.
Como nos preparar melhor para sermos orientadores de casais em dificuldade?
Aguarde novos temas de reflexão e estamos esperando pela sua colaboração
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