sexta-feira, 29 de julho de 2011

A FAMILIA NA CONSTRUÇÃO DO MUNDO

                                  

         A FAMÍLIA, INSERIDA NO TEMPO, TEM SUA FONTE NO PASSADO, NOS QUE VIERAM ANTES, OS PAIS, AVÓS E ANCESTRAIS.
MAS ELA SE PROJETA TOTALMENTE PARA O FUTURO, NOS FILHOS E NETOS E DEMAIS DESCENDENTES.
 FAZ A LIGAÇÃO DO RIO DA VIDA, DO QUE FOI PARA O QUE SERÁ. ELA ENVOLVE CONTINUIDADE, MUDANÇA E PROGRESSO.
         A PÁTRIA, COMO DIZIA O GRANDE JURISTA, RUI BARBOSA, “É A FAMÍLIA AMPLIFICADA E TEM POR ELEMENTOS ORGÂNICOS, A HONRA, A DISCIPLINA A BENQUERENÇA O SACRIFÍCIO. É UMA DESESTUDADA PERMUTA DE ABNEGAÇÕES E UM TECIDO VIVENTE DE ALMAS ENTRELAÇADAS. MULTIPLICAI A CÉLULA E TENDES O ORGANISMO, MULTIPLICAI A FAMÍLIA E TENDES A PÁTRIA”.
AQUI DIZEMOS NÓS, MULTIPLICAI AS PÁTRIAS E TEREMOS  A HUMANIDADE.
         COM O PROGRESSO TECNOLÓGICO, CIENTÍFÍCO E MUDANÇAS CULTURAIS QUE DIMINUEM AS DISTÂNCIAS E NOS FAZEM SENTIR MORADORES DA ALDEIA GLOBAL, AS FAMÍLIAS SOFREM O IMPACTO DE TUDO O QUE ACONTECE NO UNIVERSO, COM UMA VELOCIDADE QUASE INCRÍVEL..
         OS TESTEMUNHOS DE SANTIDADE E A PERVERSIDADE ENTRAM EM NOSSOS LARES COM A FACILIDADE DA CHUVA PARA QUEM MORA EM ÁREA DE RISCO.
HOJE TODOS NÓS SOMOS MORADORES DE ÁREA DE RISCO, SENÃO PELO REBAIXAMENTO GEOGRÁFICO, SERÁ PELA SUSCEPTIBILIDADE CULTURAL PROVOCADA NA MÍDIA. TODOS  ESTAMOS SUJEITOS À VIROSE, A DENGUE E OUTRAS DOENÇAS QUE PRODUZEM FREGUESES PARA OS LABORATÓRIOS E FARMÁCIAS.
SE É MALÉFICO O VÍRUS QUE ATENTA CONTRA A VIDA FÍSICA, MUITO MAIS GRAVE E DE DIFÍCIL CONTROLE O VÍRUS QUE ATACA O CAMPO MORAL DA FAMÍLIA, DESTRUINDO A VIDA, DESDE O VENTRE MATERNO, ATÉ A POLUIÇÃO TOTAL PROVOCADA PELA VIOLÊNCIA QUE VAI TORNANDO INÓSPITA A CIDADE,  A FAVELA.E O CAMPO

         AMIGAS E AMIGOS, DEUS CRIOU A FAMÍLIA, HOMEM E MULHER, PARA SEREM OS CONSTRUTORES DO UNIVERSO: “  FAÇAMOS O HOMEM À NOSSA IMAGEM E SEMELHANÇA; QUE ELE DOMINE OS PEIXES DO MAR, AS AVES DO CÉU E OS ANIMAIS  DOMÉSTICOS E TODOS OS RÉPTEIS. E DEUS CRIOU O HOMEM A SUA IMAGEM; À IMAGEM DE DEUS O CRIOU; HOMEM E MULHER OS CRIOU.”  (GE. 1, 26 - 27).

         DEUS NOS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, PARA SERMOS CO-CRIADORES COM ELE. DEU-NOS OS ELEMENTOS BÁSICOS PARA QUE CONSTRUÍSSEMOS O FUTURO. NÓS SOMOS RESPONSÁVEIS PELO UNIVERSO, PELA CRIAÇÃO PELO DESENVOLVIMENTO, PELA CONSTRUÇÃO DE UM LUGAR DE TRANQÜILIDADE ONDE TODOS  TENHAMOS O NECESSÁRIO PARA VIVER SEM TEMOR.

         O CASAL CRISTÃO TEM UMA MISSÃO EVANGELIZADORA E CATEQUIZADORA INSUBSTITUIVEL NA TRANSFORMAÇÃO E  CONSTRUÇÃO DO MUNDO NOVO.

         CADA CASAL AQUI PRESENTE TEM UMA PARCELA MÍNIMA, MAS INSUBSTITUÍVEL DESTA RESPONSABILIDADE. PORQUE, SE DE UM LADO, VEMOS DE MANEIRA GRITANTE A DESTRUIÇÃO DA FAMÍLIA, DE OUTRO, FOMOS CHAMADOS POR DEUS DE MODO  SUTIL E DELICADO PARA SERMOS OS  ARAUTOS DA BOA NOVA DO AMOR DO MATRIMONIO E DA FELICIDADE.

         SOMOS CHAMADOS A SER FERMENTO DE RENOVAÇÃO, NÃO SOMENTE NA IGREJA, MAS TAMBÉM NO MUNDO E A DEMONSTRAR, SOBRETUDO PARA OS JOVENS, ATRAVÉS DO NOSSO TESTEMUNHO, QUE DEUS SALVOU O AMOR NO CASAMENTO E QUE O CONÚBIO DE UM HOMEM E UMA MULHER, CHANCELADO PELO AMOR DIVINO QUE O ELEVA À CONDIÇÃO DE COMUNHÃO SACRAMENTAL,  ESTÁ A SERVIÇO DO AMOR,
A SERVIÇO DA FELICIDADE
E A SERVIÇO DA SANTIDADE.



         SÓ SERÁ POSSÍVEL CONSEGUIR SER TESTEMUNHAS DO AMOR SE ESTIVERMOS UNIDOS A JESUS, POIS, SE SOMOS CASAIS COM CRISTO, NÃO PODEMOS SE-LO SÓ NO NOME, PRECISAMOS VIVER DE FATO ESTE IDEAL DO CONTRÁRIO SERIA ATENTAR CONTRA NOSSO JURAMENTO DIANTE DO ALTAR.
JESUS CRISTO É O MODELO E O CENTRO, O FUNDAMENTO E A MEDIDA DO NOSSO AMOR DE CÔNJUGES..
VEJAMOS COM HUMILDADE QUÃO IRRACIONAIS E ILÓGICOS SOMOS, QUANDO TIRAMOS CRISTO DO CENTRO DE NOSSA VIDA E NOS APEGAMOS DESMEDIDAMENTE A BUSCA DO PODER, DO PRAZER E DO TER. SABEMOS QUE O MUNDO VIVE NESTA ÂNSIA TERRÍVEL E POR ESTES ÍDOLOS DEIXA DE REALIZAR O SONHO DE DEUS, QUE É FAZER TODAS AS PESSOAS FELIZES.

         NOS NÃO SOMOS SEGUIDORES DE UMA DOUTRINA NEM DE UM CÓDIGO DE ÉTICA, NEM DE UMA FILOSOFIA, MAS DE UMA PESSOA , JESUS CRISTO QUE PROMETEU ESTAR CONOSCO TODOS OS DIAS ATE O FIM DOS TEMPOS. E SE INTITULOU CAMINHO VERDADE E VIDA.

         OS BISPOS DO MUNDO, DEFININDO A IGREJA POVO DE DEUS, NA CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA DO CONCILIO VATICANO II ENSINAM QUE A FAMÍLIA É A IGREJA DOMÉSTICA.
E O DOCUMENTO CONCILIAR QUE TRATA DA MISSÃO DO  LEIGO NA IGREJA PROCLAMA QUE A FAMÍLIA É O SANTUÁRIO ÍNTIMO DA IGREJA.   
         O PE. CAFFAREL, QUE COM 4 CASAIS DEU INÍCIO A CAMINHADA DAS ENS, EM 1938, NA FRANÇA, DESCOBRIU DE MANEIRA ESPLENDOROSA QUE A FAMÍLIA É A OBRA PRIMA DE DEUS.
 OS BISPOS DO BRASIL,  SEGUINDO O INFLUXO DO ESPÍRITO SANTO DE RESGATAR O MATRIMONIO CRISTÃO E COLOCA-LO EM EVIDENCIA, NO TERCEIRO MILÊNIO, NO DIRETÓRIO DA PASTORAL FAMILIAR CONFESSA NA PÁGINA 51,  DO DOCUMENTO NUMERO 79 APROVADO NA ASSEMBLEIA DA CNBB DE 2004, QUE A FAMÍLIA É A OBRA PREDILETA DE DEUS.

         AMIGOS, SE A FAMÍLIA É A OBRA PREDILETA DE DEUS É A OBRA PREDILETA DE JESUS CRISTO, DE N.SENHORA, DE TODOS OS SANTOS DA IGREJA E DEVE SER A NOSSA OBRA PREDILETA DE CASAIS COM CRISTO QUE DESEJAMOS A NOSSA SANTIFICAÇÃO.

         PRECISAMOS DAR TODO O NOSSO EMPENHO À PASTORAL FAMILIAR QUE É O CENTRO DONDE DECORREM TODAS AS OUTRAS PASTORAIS. TEMOS UMA MISSÃO MUITO GRANDE DADA POR DEUS DE SALVAR A FAMÍLIA. PARA QUE ISTO POSSA ACONTECER TEMOS QUE COMEÇAR SALVANDO A NOSSA.

SALVAR A FAMÍLIA SIGNIFICA FAZÊ-LA  CUMPRIR SUA FINALIDADE CONFORME DIZ O PAPA JOÃO PAULO II NA FAMILIARIS CONSORTIO: FAMÍLIA SÊ O QUE TU ÉS, FONTE DA VIDA E DO AMOR.
         COMO IGREJA DOMÉSTICA ELA É A CÉLULA PRIMEIRA DA SOCIEDADE, SUA EXISTÊNCIA É VITAL PARA TODOS, PORTADORA DE ENERGIAS, INDISPENSÁVEIS AO FUTURO DA HUMANIDADE. NÃO É DIFÍCIL, CONVENCER ALGUÉM QUE GRANDE PARTE DOS PROBLEMAS DA SOCIEDADE ADVÉM DA DESESTRUTURAÇÃO DA FAMÍLIA.
MUITAS PASTORAIS FUNCIONARIAM MELHOR, OU NÃO PRECISARIAM EXISTIR SE A FAMÍLIA PUDESSE DESEMPENHAR SUA MISSÃO DE HUMANIZADORA, EVANGELIZADORA E CATEQUIZADORA

         PARA QUE  POSSAMOS SER GRANDES BENFEITORES DA HUMANIDADE, TRABALHEMOS PELA FAMÍLIA. QUANTAS PESSOAS NÃO SE SEPARARIAM SE DESCOBRISSEM QUE VALE A PENA LUTAR PELA SUA FAMÍLIA, PELA HARMONIA CONJUGAL PELO FORTALECIMENTO DE TODOS OS MOVIMENTOS QUE TRABALHAM PELA FAMÍLIA PARTICULARMENTE O ECC.
O CASAL TEM POR VOCAÇÃO A SANTIDADE CONJUGAL E ESTA TEM QUE SER TRABALHADA CADA DIA.
NOSSAS PARÓQUIAS PRECISAM SE TRANSFORMAR EM CELEIROS DE CASAIS SANTOS E SANTIFICADORES QUE OPEREM COMO FERMENTO, SAL E LUZ.
 SÓ CONSEGUIREMOS NOSSA SANTIFICAÇÃO CONJUGAL SE FIZERMOS UM PACTO DE AMOR DIÁRIO UM COM O OUTRO E COM DEUS. ESTE PACTO DE AMOR DEVE SER EXPRESSO NUMA ORAÇÃO CONJUGAL DIÁRIA. ISTO É O COMEÇO, POIS O QUE NECESSITAMOS MESMO NAS 24 HORA DO DIA É
A BUSCA DA VONTADE DE DEUS DIANTE DE TUDO QUE NOS OCORRE DURANTE O DIA,
BUSCA DA VERDADE NESTE MUNDO DE MENTIRA, DE HIPOCRISIA E DE FALSIDADE
E BUSCA DA COMUNHÃO QUE NOS FAZ UM COM NOSSO CONJUGE, NOSSOS FILHOS, NOSSOS AMIGOS E FINALMENTE COM TODAS AS PESSOAS, RICAS OU POBRES, SABIAS OU IGNORANTES, SANTAS OU PECADORAS, DE QUALQUER RAÇA OU RELIGIÃO, PORQUE NOS TRANSFORMAMOS EM HOSTIAS PURAS SANTAS E AGRADÁVEIS A DEUS, COMO DIZ S. PAULO NO CAPITULO 12 AOS ROMANOS “AGORA IRMÃOS PELA MISERICORDIA DE DEUS EU VOS EXORTO A VOS OFERECERDES COMO SACRIFÍCIO VIVO, SANTO E ACEITÁVEL: SEJA ESSE O VOSSO CULTO ESPIRITUAL NÃO VOS AJUSTEIS A ESTE MUNDO, E SIM TRANSFORMAI-VOS COM UMA MENTALIDADE NOVA, PARA DISCERNIR A VONTADE DE DEUS, O QUE É BOM ACEITÁVEL E PERFEITO.”

QUERIDOS AMIGOS, ESTA TAREFA DE RECONSTRUIR AS BASES DO AMOR, A COMEÇAR PELO NOSSO CASAMENTO, É INGENTE E ÀS VEZES, PARECE IMPOSSÍVEL.
QUEREMOS AFIRMAR COM TODA A FORÇA DO NOSSO TESTEMUNHO, QUE NADA É IMPOSSÍVEL PARA DEUS. SOMOS FRACOS E PECADORES, MAS DEUS BEM SABE DISSO, CONHECE TODO O NOSSO PASSADO, NOSSOS ERROS CONTRA A FIDELIDADE E O AMOR, MAS SE ESTAMOS AQUI ELE NOS QUER SANTOS E SANTIFICADORES, DESDE QUE QUEIRAMOS OLHAR PARA A FRENTE E BUSCAR NA SUA MENSAGEM E NOS ENSINAMENTOS DA IGREJA OS INSTRUMENTOS QUE NOS GARANTEM A VITORIA.
NOSSOS AMIGOS DO ECC QUE NOS CONVIDARAM PARA ESTA ETAPA E NOS APRONTARÃO PARA A TERCEIRA, SÃO COMPANHEIROS DE LUTA E INSTRUMENTOS DE DEUS. NÃO RECUSEMOS SEM MOTIVO TRABALHAR PELO REINO DE DEUS NA FAMILIA,
POIS É A ÚNICA MANEIRA DE GARANTIR PARA A HUMANINDADE UM FUTURO DE PAZ, JUSTIÇA E FELICIDADE.
CONCLUIMOS LEMBRANDO O QUE JESUS DIZ NO CAPÍTULO 15 DE SÃO JOÃO, “EU SOU A VIDEIRA E VÓS OS RAMOS, QUEM PERMANECE EM MIM E EU NELE DARÁ MUITO FRUTO, POIS SEM MIM NADA PODEIS FAZER.” E MAIS ADIANTE ‘COMO O PAI ME AMOU EU VOS AMEI, PERMANECEI NO MEU AMOR”
AMIGAS E AMIGOS, FICAREMOS MUITO SATISFEITOS SE TODOS AQUI DESCIDIREM QUERER SER SANTOS, NÃO COMO PADRES OU FREIRAS MAS COMO HOMENS E MULHERES CASADOS QUE DECIDEM VIVER SEU BATISMO A DOIS E ONDE QUER QUE ESTEJAM, NA POLÍTICA NO COMÉRCIO NAS ARTES, NA EDUCAÇÃO, NA FAMILIA, NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA ENTIDADES DE GOVERNO, DA INDUSTRIA OU NO MUNDO DA DIVERSÃO, SEJAM O SINAL DE QUE DEUS SALVOU O AMOR.
A MELHOR HOMENAGEM QUE PODEREMOS PRESTAR À EUCARISTIA NESTE FINAL DE ANO EUCARISTICO É FAZER COM QUE NOSSO AMOR CONJUGAL SEJA TRANSFORMADO NO SEU DIVINO AMOR.

        

A ESPIRITUALIDADE DO CASAL


Amigos e amigas, aqui  estamos para refletir juntos sobre um assunto que muito nos interessa - a espiritualidade do casal, a espiritualidade conjugal.
O termo espiritualidade conjugal é novo na Igreja e muito desconhecido dos orientadores de espiritualidade e dos próprios interessados, os casais.
Existe uma espiritualidade conjugal, diferente da espiritualidade do solteiro e daquele ou daquela que faz votos de castidade?
Há uma riqueza muito grande de modelos de espiritualidade em nossa religião, no segmento de algum santo fundador: espiritualidade franciscana, dominicana, beneditina, vicentina, e assim por diante.
Até bem pouco tempo na história da Igreja os casados se ajustavam a uma das espiritualidades existentes e procuravam viver o evangelho de acordo com sua opção, sem se dar conta de que eram casados, tinham filhos, precisavam trabalhar, educar os filhos. Cada um se esforçava por se santificar como podia, mas sem aquela vivência específica da caridade conjugal que os fazia caminhar juntos para Deus. O que ocorria é que as pessoas buscavam sua santificação não pelo sacramento do matrimônio, mas apesar dele. O matrimônio aparecia muito mais como um obstáculo  do que como o caminho régio da santificação dos cônjuges.
O matrimônio era até considerado por muitos como uma concessão à nossa fragilidade humana e que o caminho de buscar a Deus era virginal e celibatário, e sem a união de corpos.
Surgiu o Vaticano II e a Igreja descobriu a força do matrimonio para estabilizar o Reino de Deus neste mundo paganizado. Foi buscar sua fonte lá no inicio da Bíblia. Chamou a família, Igreja Doméstica e Santuário Intimo da Igreja. E ensinou que o caminho de santificação dos casados é pelo matrimônio e que os cônjuges são co-responsáveis pela santificação um do outro e dos filhos.
            O Vaticano II também ensinou no capitulo V da Lumen Gentium que todos são igualmente chamados à santidade, pastores e pastoreados. Os casados são vocacionados a serem santos no amor conjugal.

                                                          

SOMA ?

                                                               
            A espiritualidade conjugal não é a soma de duas espiritualidades individuais, a do marido e a da mulher. Seria ingenuidade pensar que o casal pratica a espiritualidade conjugal porque vão à missa aos domingos juntos, rezam o terço  e fazem juntos alguma novena. Não é só isso é muito mais que isso, como dizem os teólogos casados Ester e Marcelo.
Frei Almir Guimarães diz que a espiritualidade conjugal não consiste na colagem de práticas religiosas, algumas até exuberantes como durante a quaresma acordar de madrugada para rezar o oficio divino em algum mosteiro.
Também não consiste a espiritualidade conjugal em interioridades, em atos com “odor de santidade” ou experiências piedosas angelicais que afastem a presença do homem e mulher integral, dotado de um corpo espiritual e de um espírito corporificado, como dizia João Paulo II.
“ o matrimônio dos batizados torna-se assim o símbolo real da nova e eterna aliança, decretada no sangue de Cristo. O Espírito que o Senhor infunde doa um coração novo e torna o homem e a mulher capazes de se amarem como Cristo nos amou. O amor conjugal atinge aquela plenitude para a qual está interiormente ordenado: a caridade conjugal que é o modo próprio e específico com que os esposos participam e são chamados a viver a mesma caridade de Cristo que se doa sobre a cruz..” (FC, 13)
O Papa continua: “Em virtude da sacramentalidade de seu matrimônio os esposos estão vinculados um ao outro da maneira mais profundamente indissolúvel. A sua pertença recíproca é a representação real através do sinal sacramental da mesma relação de Cristo com a Igreja.”
“Os esposos são, portanto, para a Igreja o chamamento permanente daquilo que aconteceu sobre a cruz: são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação da qual o sacramento os faz participar” (idem)
O matrimônio é um símbolo real do acontecimento da salvação, mas de um modo próprio. Os esposos participam nele enquanto esposos, a dois, como casal a tal ponto que o efeito primeiro e imediato do matrimônio (res et sacramentum) não é a graça sacramental propriamente, mas o vinculo conjugal cristão, uma comunhão a dois, tipicamente cristã porque representa o mistério da Encarnação de Cristo e o seu Mistério de Aliança.
A Familiaris Consortio para surpresa de muitos vai dizer que o primeiro efeito do sacramento não é a graça sobrenatural o que deita por terra qualquer odor de santidade ou pretenso ato piedoso, mas pura e simplesmente vai permitir que o amor dos dois se torne sempre mais forte e intenso, mais vivo e venturoso mais unificante e feliz.
            Não poderia ser diferente, porque só assim marido e mulher vão realizar aquele desejo do Criador de que sejam uma só carne. O projeto divino é de tal vigor que o sacramento não se restringe a um ato litúrgico no altar. Não se exaure em um momento, por mais bela que seja a liturgia nupcial, mas perdura ao longo da vida do casal, gerando a força do Alto, a  graça. Cada palavra de afeto, gesto de doçura ou de atenção, ou de entrega recíproca, que traduz o amor e a felicidade impar dos dois é a realização continuada do sacramento
            O sacramento permanece vivo e atuante durante toda a vida do casal e Deus presente no amor deles os vai santificando o tornando cada vez mais sua imagem e semelhança.
            O Concilio de Trento em 1545 a 1563 sobre o matrimonio já ensinou que a finalidade do matrimónio era “amorem naturalem perficere” aperfeiçoar o amor natural  e “conjugesque santificare” santificar os cônjuges..
O casamento foi feito por Deus, elevado por Jesus a categoria de sacramento também para nos santificar na prática da convivência matrimonial. A santidade do casal existe em razão direta do amor que os une, quanto maior o amor demonstrado em atitudes maior é a santidade visível para os filhos e os amigos. O amor que os une não é um amor diferente, angelical, mas um amor humano ardente de desejo e de doação recíproca. Não é um amor que paira nas alturas. È a santidade que brota da apaixonada união que faz o encanto e que inebria a vida dos que se casam. É a santidade que busca sua fonte no enlevo e no contentamento feliz que a vida a dois, cheia de amor proporciona.
            Frei Almir Guimarães diz que não existe nada mais concreto do que a espiritualidade conjugal.
A espiritualidade que brota do matrimônio é pé no chão. Não necessita de termos litúrgicos para ser vivida, de orações especiais ou de intervenção do clero.Não necessita também de uma Igreja ou capela. É no recesso do lar que ela se opera, na vida a dois com todas as suas vicissitudes de alegrias e tristezas, encontros e desencontros, na mesa festiva ou no gozo extasiante do leito conjugal que os casados vivem e praticam a espiritualidade conjugal.
È na cama do casal – altar conjugal – que o sacramento encontra sua máxima densidade sacramental como proclamou o CELAM em Puebla. Nada neste mundo revela tanto o mistério de Deus conosco, de seu poder, de sua grandeza, junto a nós, com seu élan criador como na comunhão de amor existente na relação entre marido é mulher. É na linguagem sexual dos corpos que Deus se transfere para este mundo, pois ela é sinal eficaz que revela e traz ao mundo o mistério do amor de Deus.
Alguém poderia dizer: acorda, Brandão, a realidade é bem outra. Não desconhecemos quão longe estamos de realizar em nossa vida o projeto de Deus em sua plenitude, mas é exatamente porque não conhecemos muito bem ainda o que vem a ser a espiritualidade conjugal.
Pedimos ao Espírito Santo que nos ilumine e dê  esta graça.




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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Casamento, Sacramento do Dia a Dia


Esposos em tempo integral
Pela oração o casal entra na dimensão de eternidade e pode irradiar nesta dimensão os outros atos do matrimônio, torná-los sagrados, coisa de Deus, transfigurando-os pela força do sacramento. É aplicável ao casal aquela frase de São Paulo: Vivo, mas não sou eu, é Cristo que vive em mim. Ou então aquela outra: “quer comais , quer bebais, quer façais  qualquer coisa, fazei tudo para a gloria de Deus” e coroando esta sacralização do que era tido como matéria, como profano, separado do espiritual, como se nossa vida fosse uma dualidade entre o espírito e a matéria dividindo os momentos de oração e especificamente dos pontos concretos de esforço, da missa e da oração interior mais prolongada, com se fosse atividade dispare  do trabalho para ganhar dinheiro, do lazer e das atividades domésticas e do próprio relacionamento sexual. Lembremo-nos  da frase de Jesus à Samaritanoa:” mulher, vai chegar a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, São estes adoradores que o Pai deseja.”
                Nos, que temos o privilegio de pertencer as ENS precisamos fazer um esforço contínuo de união com Deus e vivencia do amor conjugal, paterno e fraterno, Este é com certeza nosso caminho de santificação. É um caminho longo e falta-nos muito chão, ou seja,  decisão de querer estar sempre mais unidos um com o outro e com Deus.
                                                                                              Ivanilde e Brandão
                                                                                              E. 4, Setor A Fortaleza.

O Padre Caffarel deve ficar feliz em ver casais assim

         
O Padre Caffarel deve ficar feliz em ver casais assim e especialmente equipistas, celebrando 54 anos de matrimônio os nossos estimados irmãos Maria José do Josias da equipe 148 Nossa Senhora de Fátima, em um clima de amor, carinho no dia 28.06 em uma informal na casa dos anfitriões Terezinha e Edvaldo e participação de toda equipe 148 e familiares e amigos equipistas do Setor B. tivemos a honra de ver-mos este lindo momento deste casal irmão. Lembrando o capítulo 5 construir o casal quando o nosso fundador nos fala: O casal é o fundamento sólido da família. È importante, pois, assegurar em primeiro lugar a solidez do casal e perseguir até ofim a consolidação do amor conjugal. Aqui vimos esposos e não apenas pais.” E como espera o padre Caffarel de cada um de nós casais equipistas ( amam-se ). Parabéns irmãos pelo dia 02.06, amados e tão queridos por todos nós que Nossa Senhora de Fátima os abençõe e o vosso Filho os ilumine.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

FAMILIA E ECOLOGIA



            A primeira questão que se impõe é saber se a família como tal pertence ao campo ecológico e se merece atenção especial para a manutenção e saúde não só da espécie humana, mas de todo o universo.
            De saída, achamos que é um assunto que merece ser pesquisado e debatido no campo acadêmico, vaticinando melhores caminhos para o futuro da humanidade.
            Elegemos o método “ver, julgar e agir” para descortinar pistas que fujam aos jargões tradicionais de fundamentalismos inconseqüentes e nos apropriar de todo o esforço que vem sendo feito em muitas áreas, para recolocar a família no seu devido patamar, seguindo o método indutivo.
            Evidentemente como cristãos,  temos como paradigma o evangelho de Jesus Cristo.

Ver
            Vejamos inicialmente alguns dos problemas que se ligam á vida familiar quer entre os casais ou entre estes e seus filhos e comprometem a instituição matrimonial, constatando fatos sem entrar inicialmente em considerações religiosas ou éticas.

1.      – Instabilidade do compromisso matrimonial.
È muito comum aos jovens hoje dizer: se não der certo nós nos separamos. Muitas separações se dão antes do primeiro ano de casados. Então toda aquela pompa de que se reveste a solenidade, se esvai sem o menor sentido.
Um rapaz engravidou uma moça e esta o importunava para se casar. Quando terminou a cerimônia ele disse, fiz o que você pediu agora me deixe em paz, que eu vou seguir meu rumo.

2.      – Os jovens têm dificuldade de se conhecer mais profundamente e não acreditam na sinceridade um do outro e temem ser traídos, como em muitas histórias que conhecem de amigos que sofreram grandes decepções.
3.      – O individualismo e a concorrência capitalista que só valoriza o mercado e os lucros financeiros e descarta o que está fora dele, corroi a base da união matrimonial.

4.      – O machismo de um lado, querendo dominar a mulher e o feminismo por sua vez, buscando a alforria desta e sua independência e liberdade, tornando o homem desnecessário em sua vida, impossibilitam a aliança matrimonial.

5.      - Falta de preparação remota e próxima para a convivência a dois, estabelecendo-se uma vida nova, a do casal.

6.      – As várias correntes culturais que influenciam as pessoas e concorrem para a desagregação familiar:

6.1.   – Corrente materialista :
“você vale pelo que tem e não pelo que você é.”
È mais importante possuir as coisas do que ser pessoa.
Para a mulher moderna é mais útil ganhar dinheiro que cuidar de filhos


6.2.    -Corrente utilitarista:
“você vale alguma coisa se for  produtivo”
O fazer predomina sobre o ser
Quem não produz não serve para nada.
As crianças mal formadas não servem para nada – solução, aborto.
Os velhos, idem – eutanásia.
Os indigentes – limpeza social
Os detentos – cárceres e não centros de reeducação.

6.3.    – Corrente hedonista
O único bem é o prazer e o único mal a dor.
Tudo que provoca prazer é bom e o que não provoca é ruim
O hedonismo é alérgico ao compromisso e ao sacrifício. Por isso, o casamento antigo não tem mais sentido. O que vale é o “fico” entre amigos, com todos os direitos do casamento, sem compromisso ou obrigação, porque estes assustam.
Os valores mais importantes são o lazer e a beleza. É a aparência que vale.
É a cultura do descartável, as coisas são feitas para durar pouco.
É bem vindo o dinheiro fácil adquirido sem esforço, mesmo que não se saiba sua origem.
Caso surjam problemas nas relações sentimentais, é preciso interrompê-las imediatamente. Sua felicidade está em primeiro lugar e você tem direito a ela.

6.4.    – Corrente do relativismo
Nada é absoluto e permanente tudo é relativo. Minha verdade me pertence e os outros devem respeitá-la. Não existem valores universais e a moral se define em função da maioria. Se esta é a favor do aborto, ele está legitimado.
Ser homem ou mulher é algo cultural e não estrutural.
Inclinação sexual é algo que se escolhe, podendo ser heterossexual, homossexual, lésbica ou andrógina.

6.5.   – Corrente secularista
       A religião é algo arcaico.
Eu sou deus para mim mesmo e posso tudo. São os  postulados da nova era bastante difundidos. Não cabe à família moderna educar na fé. Pode-se deixar esta opção para a escola, que se diga de passagem, não pode ser confessional.
6.6.   – Corrente nihilista
       Nada tem sentido, tudo é náusea. Não se trata aqui das correntes filosóficas de Nietzsche, Heiddeger ou Sartre, mas sim do nihilismo corrente. Muitos o são de forma implícita. O homem vem do nada e volta para o nada. Isto leva a um pessimismo depressivo ou a um otimismo inconseqüente. Comamos e bebamos e satisfaçamos a natureza já que amanhã morreremos.

Julgar

      O paradigma para o juízo cristão se fundamenta na palavra de Deus. E no seu ensinamento através da Bíblia e do Magistério.
No poema da criação Deus organiza o universo em 5 dias e o coroa no 6º.criando o homem e a mulher à sua imagem e semelhança a quem confiou tudo o que criara, para ser co-criadores e participar da felicidade de seu amor. O Eden era o paraíso de felicidade que o homem perdeu quando contrariou a vontade de Deus. A partir daí viu que estava nu.
Deus não abandonou seu povo, mas através dos profetas ensinou que seu amor pela humanidade tem uma analogia no amor matrimonial.
Em resumo o projeto de Deus tem por elo de sustentação, o casal. Este faz parte do projeto divino e se assemelha á Ele, porque é capaz de amar.
            Jesus Cristo confirmou o projeto divino, dizendo que o homem não separe o que Deus uniu ( Mateus 19,3-23). 
S. Paulo (no cap. 5. 21 aos efésios) diz que os maridos amem suas esposas como Cristo amou sua Igreja. E nos conforta dizendo que este mistério é grande.
O Pe Caffarel que fundou as equipes de nossa senhora e pesquisou sobre o matrimônio de 1939 ao fim do século xx, ajudou a milhares de casais na Europa e no Brasil, a seguirem o caminho de santificação matrimonial, diz sobre o matrimônio cristão uma frase lapidar:
O matrimônio é a obra prima de Deus.
            O Concilio Vaticano II na Constituição Dogmática  sobre a igreja orienta que “os cônjuges cristãos, pela virtude do sacramento do matrimonio pelo qual significam e participam do mistério de unidade e fecundo amor entre Cristo e a Igreja, ajudam-se a se santificar um ao outro na vida conjugal e têm um dom especial dentro do Povo de Deus” (n.11) e continua,  é necessário que nesta espécie de igreja doméstica os pais sejam para os filhos pela palavra e pelo exemplo os primeiros mestres da fé.
            No documento, Apostolicam Actuositatem sobre a vocação e missão dos leigos, ensina que a família cristã se apresente  como santuário intimo da igreja. Já tendo explicitado no início que se constitui  princípio e fundamento da sociedade humana  e pela graça divina Deus o constituiu o grande sacramento em Cristo e na Igreja.
            No documento conciliar Gaudium et Spes, no capítulo II, os padres conciliares enumeram os problemas mais urgentes da humanidade e destacam em primeiro lugar do número 47 ao 53 a promoção da dignidade do matrimônio e da família. Convido que todos os leiam, meditem e comparem com a realidade da igreja e do mundo.
Não posso omitir a recomendação que faz aos sacerdotes de serem adequadamente formados em questões familiares, para promover a vocação dos esposos na sua vida conjugal e familiar, e no apoio aos movimentos familiares, aos jovens que se preparam para o casamento e aos recém casados.
            A cúpula da Igreja Hierárquica está fiel à doutrina conciliar sobre a familia, mas ela carece de ser mais vivenciada pelas bases.
 João Paulo II na Familiaris Consortio brada que o futuro da humanidade depende da família e noutra parte do documento ele pede que a família seja o que ela é, fonte da vida e do amor.
            Os Bispos do Brasil no diretório da pastoral familiar, aprovado na 42ª. Assembleia em 2004 embora tardiamente consonantes com a orientação conciliar, ensinam que o matrimônio é obra predileta de Deus.(capítulo. 2º.)
            A V Conferencia Geral do episcopado da América Latina e do Caribe no número 422 explicita: “a família é um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e caribenhos e é patrimônio da humanidade inteira.”.

Agir

            Qual deve ser nosso agir acadêmico sobre a parte da ecologia deste momentoso assunto, a família?
Os celibatários se casarem?
Evidentemente que não, mas dedicar-se às famílias e aos movimentos familiares, lembrados de que a fonte do amor que impulsiona uns para o celibato é a mesma fonte que leva outros, a maioria, ao matrimônio, Jesus Cristo, o Verbo Encarnado.
Com efeito, 99% do Povo de Deus ou é casado ou foi ou pretende sê-lo.
            Como nos preparar melhor para sermos orientadores de casais em dificuldade?
             

Aguarde novos temas de reflexão e estamos esperando pela sua colaboração